Impedidos de entrar na sede da fundação na rua Corrêa Lima, bairro Santa Teresa, em Porto Alegre, os trabalhadores fizeram um ato em defesa da TVE e da FM Cultura. Por determinação da direção, apenas os funcionários dos setores administrativo e jurídico foram autorizados a ingressar no prédio. A manifestação contou com a presença da artista Zoravia Bettiol, dos deputados Stela Farias e Adão Villaverde, do PT, e de representantes de sindicatos como a CUT, Cpers e funcionários da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) e estudantes.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Milton Simas, disse que o departamento jurídico do sindicato está à disposição dos funcionários. “Queremos a liberação do acesso dos trabalhadores ao prédio da Fundação Piratini e vamos lutar para evitar a extinção”, comentou. Já o deputado Adão Villaverde explicou que a questão das fundações que a disputa política vai ocorrer no campo jurídico. “O projeto foi aprovado, mesmo com a nossa contrariedade. A saída agora é a jurídica", disse.
A artista plástica Zoravia Bettiol disse que o governador José Ivo Sartori está cometendo um crime contra a cultura, o ambientalismo, a ciência e também contra a Fundação de Economia e Estatística (FEE). “O atraso é incomensurável. Onde será colocado todo o material de pesquisa, de documentos e coleções?”, lamentou. Zoravia disse que a extinção das fundações prejudica as futuras gerações. “Estamos, infelizmente, sendo o Estado mais atrasado do Brasil nas mãos do governador José Ivo Sartori”, acrescentou.
A jornalista Cristina Charão, da TVE, considerou a medida de proibir o acesso dos funcionários ao prédio é absolutamente ilegal. “Queremos trabalhar porque a fundação ainda não foi extinta. Outra preocupação é com o acervo da emissora”, acrescentou. A repórter Angélica Coronel, da TVE, afirmou que o governo nunca foi simpático a Fundação Piratini e nunca dialogou com os funcionários. “A tentativa do Executivo é humilhar os trabalhadores, enfraquecer e desmobilizar, mas não vamos desistir de lutar”, comentou.
Recesso remunerado
O protesto pacífico dos funcionários da Fundação Piratini foi acompanhado por quatro viaturas da Brigada Militar. A Fundação Piratini possui cerca de 200 funcionários. Os trabalhadores da entidade foram comunicados pela direção do recesso funcional remunerado no período de 24 de dezembro a 2 de janeiro de 2017. O retorno ao trabalho dos funcionários está previsto para o dia 3 de janeiro.
A reportagem do Correio do Povo tentou contato com a direção da Fundação Piratini, mas não obteve retorno. A direção informou que o presidente em exercício da fundação, Miguel Oliveira, participou de reuniões durante a manhã na sede da emissora.
Foto: Samuel Maciel
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